Textos


Juízes, Médicos, a Coisa e Deus!

O Encontro da ‘coisa’ com 'deus'!

Existe. É real. E todo profissional da área de saúde em um determinado momento os vê. Se não perceber ou ver, sentirá a presença. É como se ‘elas’ fizessem parte dos hospitais. Principalmente nos ambulatórios, UTIs, centros cirúrgicos. Onde mais se vê são nos corredores. No silêncio da noite ‘elas’ surgem. Na madrugada então, estão por todo canto. O corredor vazio, sem horário de visita, o pessoal da saúde em casa com as famílias, ou no horário de repouso. Pronto, ai é que eles tomam conta. Tem inclusive quem já passou do estágio de medo e ‘respeito’ para o de pasmem, ‘colega’! Chega-se a ponto de ouvi-los conversando uns com os outros. Portanto, você que está preste a entrar nesse mundo fantástico que é o da saúde. Tenha certeza de uma coisa. Você ainda vai ver uma delas. A ‘coisa’ existe, já foi vista por muitos, é amiga de outros tantos e tem até ‘sindicato’. Como disse, você está entrando no “Mundo ‘Fantástico’ da Área da Saúde”.

Conta-nos num primeiro relato, um neurocirurgião renomado e de grande atuação, sua experiência é no mínimo ‘coisa de outro mundo’. Vejam o que ele diz:

Na primeira noite que a vi, não quis dar importância, pensei, vou ficar na minha, talvez ela nem fale comigo. Já tinha ouvido muitas histórias a respeito da ‘coisa’, mas, sinceramente nunca achei que isso fosse verdade, que isso pudesse acontecer nos dias de hoje e principalmente num ambiente como o nosso, digo, de alta tecnologia e principalmente por que lidamos com o racional, o lógico, o científico. Num hospital, por mais simples e desprovido de recurso ou mesmo equipamento de ponta, é um local de cientistas, médicos, enfim, pessoas que estudaram, se especializaram, que não podem jamais acreditar numa ‘coisa dessas’.

Li certa vez um relato, me impressionou muito, porque era um colega, alguém que conhecera num congresso certa vez, com vários livros impressos, teses muito bem defendidas. Dizia ele que, certa vez numa cirurgia de alto risco, precisou de um segundo para se recompor. O momento pedia. Acontece que naquela fração de segundos a ‘coisa’ apareceu ao seu lado. Olhei para os colegas ao lado e à frente, nada, ninguém percebia o que estava acontecendo. Todos concentrados. - Pensei logo – continua seu relato – deve ser porque não aparece para todos, ou não são todos que a veem. Mas estava ali. E se isso não bastasse, aconteceu um fato ainda mais estranho. A ‘coisa’ fala! Disse: - Calma tudo vai dar certo! – e não é que acabou dando tudo certo mesmo! – concluiu.

Um outro relato ainda mais intrigante dá conta de coisas que se movem quando a ‘coisa’ está por perto. Os instrumentais, os monitores, aparelhos de P.A., todos se movem. Estetoscópios então nem se fala, simplesmente somem dos ‘postinhos’ dentro das UTIs, centros cirúrgicos. Um médico indiano, Thing Nehu’mma diz em seu relato:

Nunca imaginei que aconteceria comigo. Certa noite estava no meu horário de repouso, resolvi ir até o estacionamento no meu carro, teria uma audiência na manhã seguinte e como sairia direto para a junta médica, resolvi pegar todo o processo para dar uma estudada nas pautas. Ao sair da UTI, o segundo corredor tem uns 4 metros de largura por quase 100 de comprimento. Mesmo iluminado, torna-se difícil identificar quem vem em nossa direção, somente quando se está bem próximo fica possível. Havia andado uns 40 metros, e naquele horário, 2h40min da madrugada, somente os meus passos ecoavam naquela imensidão. Nessas horas o medo torna tudo mais longo, menos claro. Quando chegava ao meio da jornada, onde os corredores se cruzam, eu vi. A ‘coisa’ virou e veio em minha direção. De pronto, resolvi que voltaria. Muito longe. Mais perto seria a porta da clínica médica a uns 8 metros à frente. Correr? Ridículo. Sou um médico, sou racional. Vou fingir que estou só. Como fingir? Estou só. Que absurdo! É o medo me fazendo delirar. Acontece que estava ouvindo seus passos. Não eram somente os meus passos. Lembrei-me do relato do colega na sala de cirurgia. E se ela resolver falar comigo? Sem me dar conta, soltei um grito, algo não muito alto, tipo assim um grande pigarro. Ela estava olhando para mim. E sorrindo. Pronto, vai falar alguma coisa, ela vai falar comigo! Meu Deus! Logo eu que sempre acreditei na ciência acabo de invocar Deus! Já imaginou a ‘coisa’ me falando alguma coisa. Firmei o passo e retirei o celular do bolso, como se quisesse fazer uma ligação, dessas que a gente gesticula tudo certinho como se estive mesmo digitando e levei o fone ao ouvido para dar a impressão de que estava ocupado e assim passaria sem ser incomodado. Não adiantou. A ‘coisa’ veio em minha direção e ‘sorrio’ para mim. Isso mesmo. Sorrio! Suave como se estivesse querendo dizer: Boa noite, bom dia, algo do tipo, ‘tudo bem?’, ‘como está seu plantão?’. Bem, daquela noite em diante tive que dar o braço a torcer. A ‘coisa’ existe. Está em todos os hospitais. Aliás, principalmente nos hospitais da rede pública. E digo mais. Após a primeira constatação de sua existência, resolvi vencer o medo e pesquisar sobre as ‘aparições’. Descobri um site na Internet que relata histórias interessantes sobre vários casos e com testemunhos ainda mais gabaritados do que poderia imaginar. Existe até um Núcleo de Debates na rede que mostra o quando é evoluído. Chama-se NURSE.TA, é o: Núcleo de Referência ao Serviço da Enfermagem, Técnicos e Auxiliares. Impressionante! Juro que não tinha noção do quanto elas existem e são reais. Organizadas, politizadas. Gente de carne e osso iguais a nós cientistas e médicos. Gente, fiquei pasmo!

Bem, claro que agora já se pode ter uma ideia de quem estamos falando. Da enfermagem? Não! Absolutamente. Estamos falando de você. Você que pensa que é deus. Aliás, só não tem certeza, porque a certeza quem tem são os juízes! Principalmente os do Supremo.

Enfim. Quando é que você se virou para o corpo de enfermagem do hospital ao qual você dá sua colaboração como profissional da área de saúde, remunerado é claro, bem mais remunerado que sua colega de trabalho, diga-se de passagem, afinal é médico. Estudou para isso. Para ser mais remunerado, obviamente. Então, quando foi que disse um ‘muito obrigado!’, ou, ‘vocês foram sensacionais hoje!’. Um, ‘preciso de sua ajuda nesse caso, tudo que estou prescrevendo não está surtindo efeito, tenho certeza que a medicação está correta, só não entendo o porquê da resistência’. Diálogo como esse seria impensável em seu ‘mundo’. Afinal sois 'deus'!

De verdade, se quer aqui, chamar atenção para o fato de ainda existirem médicos que simplesmente esquece-se, que um dia seus familiares, ou eles próprios, serão os pacientes.

Quem vai cuidar são as ‘coisas’. São eles, do corpo de enfermagem que farão a diferença.

Suas prescrições podem não chegar ao destino com a atenção devida. Que fique bem claro isto não é uma ameaça. Ainda que pareça. É a realidade. Quem recebe bom tratamento devolve bom tratamento. Quem é reconhecido sempre reconhece. Fazer a medicação na hora certa, na dosagem certa e obedecer ao prontuário, não significa necessariamente que a emoção esteja envolvida. Ou melhor, que o coração tomou parte.

Entende? Coração. Não o órgão que bombeia o sangue. Mas aquele, que seu filho desenha numa folha de papel, para dizer a você: Papai eu te amo! Amor! É disso que estamos falando. Tratar bem se resume em amor. E vocês já devem ter lido em algum lugar, escrito por um dos seus colegas conscientes, um dos que falam com as ‘coisas’ nos corredores, que o amor ajuda na recuperação dos pacientes. Há casos em que até ajudam nas cicatrizações. Aceleram o processo. Amor. Ah, como é bom saber que ele existe!
LuizcomZ
Enviado por LuizcomZ em 14/05/2008
Alterado em 18/10/2012


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